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Reestruturação de fluxo de caixa é fundamental para sair do vermelho

O Sebrae, entidades comerciais e núcleos de apoio contábil, como os NAFs da Receita Federal, oferecem atendimento gratuito ou de baixo custo para empresas em dificuldades

 

Foto: Divulgação/Reprodução

 

Outro ponto fundamental é a reestruturação do fluxo de caixa. Pequenas e médias empresas costumam conviver com desorganização financeira, ausência de reservas e falta de distinção entre despesas pessoais e empresariais. Separar essas contas, adotar controles financeiros rigorosos e priorizar o pagamento de obrigações essenciais — como folha de pagamento e tributos — são ações que podem evitar novos atrasos.

Em momentos de crise, a criatividade na geração de receita e a busca por novos canais de venda também fazem diferença. Muitos pequenos negócios na Bahia têm apostado em redes sociais, aplicativos de entrega e parcerias locais para alcançar novos públicos. A digitalização das vendas, aliada à oferta de serviços por assinatura, promoções sazonais ou estratégias de fidelização, ajuda a recuperar a capacidade de giro do caixa.

Também é importante que o empresário busque orientação especializada. O Sebrae, entidades comerciais e núcleos de apoio contábil, como os NAFs da Receita Federal, oferecem atendimento gratuito ou de baixo custo para empresas em dificuldades. Com esse suporte, é possível revisar contratos, simular novos modelos de negócio e até mesmo renegociar tributos parcelados junto aos governos federal e estadual.

Em paralelo, programas como o Pronampe e linhas do FNE Giro (via Banco do Nordeste) seguem disponíveis com taxas mais atrativas que as praticadas no mercado tradicional. Essas linhas contam com garantia do governo federal ou estadual, o que facilita a liberação do crédito, mesmo para empresas com menor rating bancário. O uso desses recursos deve ser estratégico: priorizar a quitação de dívidas com juros mais altos e investir na retomada de atividades que aumentem a receita, como expansão do atendimento, modernização de equipamentos ou treinamento de equipe.

A expectativa de analistas é que o Banco Central inicie um ciclo de corte da Selic nos próximos meses, o que pode aliviar o custo do crédito. No entanto, a reversão dos indicadores de inadimplência tende a ser mais lenta, pois depende não apenas de juros mais baixos, mas da recuperação do consumo das famílias e da confiança do empresariado. Até lá, disciplina financeira, gestão consciente e inovação continuarão sendo os principais aliados dos empreendedores baianos que buscam reerguer seus negócios e sair da lista dos inadimplentes.

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia