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IPCA de março desacelera e fica em 0,58% na RMS

A alimentação e a habitação continuaram a ser os principais fatores de pressão inflacionária na RMS

 

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

 

Divulgada ontem pelo IBGE, a prévia da inflação de março, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), revelou um panorama preocupante para a Região Metropolitana de Salvador (RMS). O impacto nos itens essenciais foi o que mais afetou a população baiana, especialmente nas áreas de alimentação e habitação.

Com uma variação de 0,58%, embora tenha desacelerado em relação ao mês anterior (1,36%), essa taxa se destaca como a maior para um mês de março nos últimos três anos, refletindo as dificuldades que a população enfrenta no dia a dia. A alta nos preços de alimentos, como o ovo de galinha (26,87%), e o aumento do gás de botijão (3,62%) foram os principais responsáveis pela pressão inflacionária, afetando diretamente o orçamento das famílias.

Além disso, o IPCA-15 de março na RMS ficou abaixo da média nacional (0,64%), mas ainda assim teve um acúmulo de 2,23% no primeiro trimestre de 2025, superando a média do Brasil (1,99%) e posicionando Salvador entre as regiões com os maiores aumentos de preços. O cenário de inflação alta e desigualdade social coloca a população baiana em uma posição vulnerável, pois os impactos econômicos são mais sentidos pelas classes mais baixas, que já enfrentam desafios para atender às necessidades básicas.

Embora o IPCA-15 de Salvador tenha ficado abaixo da média nacional, o acúmulo no primeiro trimestre de 2025 revela uma disparidade significativa. A inflação acumulada da RMS nos 12 meses encerrados em março foi de 5,43%, acima da média do Brasil (5,26%), colocando a região entre os locais com os maiores índices de aumento de preços no país. Esse aumento reflete uma realidade particular da Bahia, onde as classes mais vulneráveis têm uma participação maior da renda destinada a itens básicos, como alimentação e moradia.

Desafios

De acordo com os dados do IBGE, a comparação com outras grandes cidades brasileiras mostra que, embora Salvador não tenha sido a cidade com o maior aumento, ela ainda enfrenta desafios maiores do que lugares como Fortaleza e Recife, cujos índices foram de 0,34% e 0,43%, respectivamente.

Impactos – A alimentação e a habitação continuaram a ser os principais fatores de pressão inflacionária na RMS. No caso da alimentação, o aumento de 0,94% foi puxado por produtos essenciais como o ovo de galinha (26,87%), o café moído (7,07%) e o pão francês (1,93%). Além disso, a alta do gás de botijão (3,62%) e a energia elétrica, que embora desacelerada (1,09% frente a 14,49% em fevereiro), ainda contribuiu para a pressão sobre os custos de habitação, refletem a vulnerabilidade da população baiana diante de uma inflação crescente.

A alimentação, por exemplo, continua sendo o maior desafio para as famílias de baixa renda, o que torna ainda mais difícil a gestão do orçamento doméstico em um cenário de inflação elevada.

Saúde

Curiosamente, o grupo de saúde e cuidados pessoais foi o único a apresentar deflação em março (-0,08%), ajudando a reduzir um pouco a alta geral da inflação. Também houve queda nos preços de itens como perfumes e óculos de grau, no entanto, não reflete uma melhoria nas condições de vida das pessoas: ao contrário, essa deflação pode ser vista como um reflexo da redução no consumo desses produtos, com as famílias priorizando gastos em necessidades mais urgentes.

Comparativo – Embora a Região Metropolitana de Salvador (RMS) tenha apresentado uma inflação de 0,58%, abaixo de cidades como Curitiba (1,12%) e Brasília (0,78%), o índice ainda coloca Salvador em uma posição desafiadora. Ao longo de 2025, a cidade tem mostrado maior vulnerabilidade à inflação em comparação com outras grandes capitais, refletindo tanto uma recuperação econômica ainda incipiente quanto desigualdades sociais mais acentuadas. A pressão sobre os custos de itens essenciais, como alimentos e energia, que consomem grande parte do orçamento das famílias, é um reflexo direto dessa realidade, especialmente entre as camadas mais baixas da população.

 

 

 

Tribuna da Bahia