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De volta da Ásia, Lula mede forças com Bolsonaro no Congresso

Encaminhamento na Câmara do projeto que anistia os acusados pelo 8 de janeiro vai servir de teste para o governo no Legislativo. Planalto espera contar com apoio de Hugo Motta para não deixar proposta avançar

 

Foto: REUTERS/Adriano Machado e Ueslei Marcelino

 

O presidente Lula retorna a Brasília depois de uma semana de viagem ao Japão e ao Vietnã e sai a campo para tentar organizar a base aliada na segunda metade de seu terceiro mandato. De imediato, o petista terá de medir forças no Congresso com os apoiadores de Jair Bolsonaro no encaminhamento do projeto de lei que anistia os condenados pelos atos de 8 de janeiro. Esse assunto será um teste para o Planalto no enfrentamento com a oposição.

Nesta terça-feira, 2, os líderes que apoiam Bolsonaro pretendem se reunir com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) com o objetivo de convencê-lo a colocar em votação no plenário, na quinta, um pedido de urgência do projeto de lei. A ala governista vai trabalhar para barrar essa pauta.

O comportamento de Motta nesse caso dará sinais sobre como ficou sua relação com Lula depois da viagem à Ásia. Em evidente movimento político, o petista convidou os atuais chefes do Legislativo para a visita aos dois países. Além do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também integraram a comitiva os ex-presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e outros parlamentares.

Da parte de Lula, essa aproximação tem caráter institucional, por agregar a cúpula do Parlamento às iniciativas do governo no cenário externo, mas principalmente político, para amarrar acordos sobre as pautas do governo em tramitação no Congresso e, se possível, para as eleições de 2026.

Se a proposta de anistia não avançar, a oposição ameaça obstruir os trabalhos legislativos caso Motta não leve pedido de urgência para votação no plenário. Caso isso ocorra, pode afetar projetos importantes para o governo, como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Embora Lula tenha dito que não conversou sobre a política brasileira com os políticos que levou para a Ásia, a aproximação com os líderes do Centrão pode ajudar a destravar a reforma ministerial que, até agora, atendeu apenas o PT. A troca de nomes na Esplanada é uma das ferramentas do presidente para negociar apoios para o restante de seu mandato e para as alianças eleitorais.

Presentes na comitiva, Rodrigo Pacheco e Arthur Lira são citados nas listas de especulações sobre possíveis novos ministros. As decisões de Lula sobre a reforma serão conhecidas nas próximas semanas.

 

Fonte: Estado de Minas