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O infarto agudo do miocárdio, historicamente associado à população idosa, tem atingido cada vez mais jovens na Bahia e em todo o Brasil. A mudança no perfil dos pacientes preocupa especialistas e reforça a necessidade de atenção a hábitos de vida e fatores de risco que, muitas vezes, passam despercebidos. Dados do Ministério da Saúde apontam que as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no país, responsáveis por cerca de 30% dos óbitos anuais.
Na Bahia, números da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) indicam a presença significativa de casos e internações por infarto em faixas etárias mais jovens nos últimos anos, o que confirma a tendência observada em estudos da Sociedade Brasileira de Cardiologia. O crescimento proporcional de ocorrências entre pessoas com menos de 45 anos tem sido associado a mudanças no estilo de vida, como sedentarismo, alimentação inadequada e altos níveis de estresse.
De acordo com o cardiologista Sérgio Câmara, fatores hereditários também têm peso importante. “Pessoas que têm histórico familiar de infarto, principalmente em homens abaixo de 55 anos e mulheres abaixo de 65, apresentam maior risco”, explica. Ele destaca ainda que o estilo de vida é determinante: “Sedentarismo, alimentação inadequada e estresse são, sem dúvida, os fatores mais comuns entre pacientes jovens”.
O especialista ressalta que muitos jovens não realizam acompanhamento médico regular, o que dificulta a identificação precoce de condições como hipertensão, diabetes e colesterol elevado. Segundo ele, não existe um exame específico capaz de prever o infarto, mas avaliações clínicas e laboratoriais são fundamentais. Exames como medição da pressão arterial, análise da glicemia e do colesterol ajudam a identificar riscos e orientar intervenções.
Os sintomas do infarto em jovens são os mesmos observados em pacientes mais velhos e não devem ser ignorados. “A dor no peito, na região central, podendo irradiar para braços e mandíbula, além de falta de ar, são sinais clássicos”, afirma Sérgio Câmara. Ele alerta que o tempo de resposta é decisivo para o prognóstico: quanto mais rápido o atendimento, menores são as sequelas.
“O acompanhamento está diretamente ligado à rapidez com que o paciente procura o serviço de saúde. Se o atendimento é feito logo no início dos sintomas, as consequências tendem a ser menores e o paciente pode ter uma vida normal depois”, explica o cardiologista. Por outro lado, o atraso no diagnóstico pode resultar em complicações graves, como insuficiência cardíaca e arritmias.
A alimentação tem papel central tanto no desenvolvimento quanto na prevenção das doenças cardiovasculares. A nutricionista Beatriz Nogueira aponta que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados está entre os principais vilões. “Refrigerantes, salgadinhos, embutidos e fast foodsão ricos em gorduras, açúcar e sódio, o que favorece o aumento do colesterol, da pressão arterial e do peso corporal”, destaca.
Ela explica que hábitos comuns, como “beliscar” produtos industrializados ao longo do dia, também contribuem para o risco elevado de infarto. Esse padrão alimentar, aliado à baixa ingestão de alimentos naturais, compromete a saúde do coração e acelera o surgimento de doenças.
Segundo a nutricionista, mudanças simples no dia a dia já fazem diferença significativa. “Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijão e cereais, é essencial”, afirma. Ela recomenda ainda reduzir o consumo de sal, açúcar e gorduras, além de manter horários regulares para as refeições e evitar pular refeições.
As orientações estão em linha com recomendações do Ministério da Saúde, que reforçam a importância de uma alimentação baseada em alimentos naturais. Destaca que a base da dieta deve ser composta por alimentos in natura ou minimamente processados, ricos em vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes, substâncias que ajudam a proteger o coração.
Além disso, a chamada alimentação cardioprotetora orienta o consumo maior de alimentos do grupo considerado mais saudável, como frutas, verduras e leguminosas, enquanto recomenda moderação no consumo de itens com maior teor de gordura e sal, e a redução de alimentos ultraprocessados, associados a prejuízos à saúde cardiovascular.
Beatriz reforça que alguns alimentos têm papel importante na prevenção. “Frutas, verduras, legumes e leguminosas ajudam a reduzir o colesterol, controlar a pressão arterial e diminuir processos inflamatórios”, afirma. Em contrapartida, alimentos ricos em gordura saturada, açúcar e sal devem ser evitados ou consumidos com moderação.
Outro ponto fundamental destacado pelos especialistas é a prática de atividade física. Sérgio recomenda exercícios regulares pelo menos cinco vezes por semana, com duração mínima de 30 minutos. Segundo ele, o controle do peso e o tratamento adequado de doenças como hipertensão e diabetes são medidas essenciais para reduzir o risco de infarto.
O avanço dos casos entre jovens acende um alerta para a necessidade de mudanças de comportamento e maior atenção à saúde preventiva. A combinação de hábitos saudáveis, acompanhamento médico e informação pode ser decisiva para frear o crescimento da doença e preservar vidas.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que o infarto não escolhe mais idade e que a prevenção deve começar cedo. Reconhecer os sinais, adotar um estilo de vida equilibrado e buscar atendimento rápido em caso de sintomas são atitudes que podem fazer a diferença entre a vida e a morte.

