Walter Pinheiro desiste de ser candidato este ano

 

O senador licenciado e atual secretário de Educação do da Bahia, Walter Pinheiro (sem partido), anunciou com exclusividade à Tribuna que não pretende disputar nenhum cargo político na eleição de 2018. O ex-petista afirma que conversou com o governador Rui Costa (PT) e deixa claro que vai se manter ocupando o cargo na pasta do Estado. “Refleti muito nesses dois últimos anos. Desde a minha saída do PT até hoje venho pensando. Fiz a opção de não me filiar em nenhum partido até para fazer uma reflexão e não ficar fazendo uma ocupação pura e simples de espaço, leiloando para poder correr atrás de lugar para mim. Conversei com um e com outro, conversei com vários companheiros e com minha família. Também conversei com o próprio governador, porque recebi dele uma missão. Ele me convidou [para ser secretário] e, portanto, conversei bastante com ele. Estabeleci um projeto exatamente nas linhas do que ele determinou”, revela.

“Vinha amadurecendo uma posição de não mais voltar ao parlamento. Acho que já completei o ciclo do parlamento. Tenho 26 anos de mandato parlamentar e uma coisa que eu mais criticava era isso. Todo mundo chega no parlamento e não renova. Não é pelo cansaço, pelo contrário, mas acho que posso contribuir em outras frentes. No Parlamento, acho que a continuidade só pela continuidade, tentar ser deputado ou brigar pela chapa do Senado, é uma atitude meramente se simples ocupação de espaço na política. Acho que não cabe. Estou num estágio que posso contribuir de outro jeito”, acredita. Pinheiro assegura que está fora da reforma do secretariado de Rui: “Tomei a decisão de não participar de processo eleitoral neste ano. Portanto, não vou me desincompatibilizar aqui da secretaria. Assim como também não vou me filiar [a nenhum partido]. Não quero criar nenhum tipo de expectativa. Se eu tivesse saindo da secretaria e me filiando, era uma expectativa para ver o que iria acontecer adiante”.

O ex-petista se diz empolgado com o futuro iminente na política. “Estou muito decidido a isso. É um outro rumo. Acho que a experiência aqui na Secretaria de Educação foi uma coisa extremamente positiva na minha vida”. Pinheiro deixou o PT em 2016 após divergências e seu descontentamento com o partido pelo qual se elegeu em 2010. Ele estava filiado desde 1983 e nunca integrou outra legenda. Ele foi vereador, deputado federal por quatro vezes e o primeiro senador baiano pelo PT. Quando recebeu o convite de Rui para chefiar a pasta da educação, cedeu a cadeira do Senado para o suplente Roberto Muniz (PP).

“Quero contribuir na eleição de 2018”

Apesar de não ser candidato, Pinheiro afirma que quer participar ativamente do processo eleitoral nesse ano. “Quero contribuir e participar da eleição de 2018 como alguém que pode agregar de outro jeito”, afirma. Questionado pela Tribuna se assumiria alguma articulação, ele negou: “Posso ajudar até como tarefeiro mesmo, não necessariamente como coordenador. Podendo discutir o projeto de outro jeito com os municípios com as pessoas e com a sociedade. Quero falar sobre os quatro anos de projeto de Rui Costa”.

Pinheiro nega que esteja pensando em abandonar a carreira política. “De jeito nenhum. Continuo na atividade pública. Se o governador der um passo adiante e achar que devo sair da secretaria, não tem nenhum problema, volto ao meu lugar no Senado. Tenho mandato até 31 de janeiro. Em 1º de fevereiro de 2019, vou me incorporar a algum projeto que esteja vinculado a minha atividade profissional. Não tenho nenhum problema com isso”.

O ex-petista também teceu críticas à condução do processo eleitoral neste ano e sobre as decisões da Justiça em relação ao ex-presidente Lula. “Acho que o processo eleitoral ganhou um contorno muito perigoso, que é o do ódio e do amor. Houve um erro do Supremo em não apreciar o mérito da questão e não um caso específico”.

 

 

Tribuna da Bahia

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