PT não pode querer vitória a qualquer custo, diz Moisés Rocha

 

 

 

 

Pré-candidato a prefeito de Salvador, o vereador Moisés Rocha (PT) voltou a defender, ontem, que o seu partido tenha uma candidatura negra para disputar o Palácio Thomé de Souza na eleição deste ano e afirmou que a sigla não pode ter o “pragmatismo de querer a vitória a qualquer custo”. O legislador lembrou que integrantes da sigla queriam o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, porque viam o dirigente esportivo como um nome forte para derrotar o grupo do prefeito ACM Neto (DEM).

“Nós temos que pensar na vitória. A vitória é o nosso objetivo. Agora, não devemos ter o pragmatismo de querer a vitória a qualquer custo”, declarou o vereador, em entrevista à Tribuna. “Não dá para esquecer a nossa trajetória, bandeiras e convicções ideológicas”, acrescentou. Moisés Rocha ainda classificou como “infeliz” uma declaração do governador Rui Costa (PT) de que “buscar identidade racial é sempre um bom caminho, mas isso necessariamente não garante, a priori, a vitória”.

“Acho uma frase infeliz. A história do PT não é ser pragmático querendo a vitória a qualquer custo. Se Wagner fosse escolher pela vitória, Rui não seria o candidato (a governador em 2014) porque ele estava patinando nas pesquisas. Mas, a oportunidade foi dada a ele. Há uma infelicidade na fala do nosso governador”, ponderou Moisés Rocha. O petista disse, ainda, que a “estrutura partidária no Brasil” é racista, inclusive, no seu partido.

“Não tenho dúvida que a estrutura partidária no Brasil é totalmente dominada por uma elite branca. Então, não é só o PT. Todos os partidos têm o poder de decisão, de indicação (estão com os brancos). Onde está (o ex-vereador) Gilmar Santiago? Trabalhou por anos na Embasa e não serve nem para ser diretor da empresa que trabalha? Onde está Luiz Alberto, que teve vários mandatos de deputado?”, questionou, ao ressaltar que políticos do PT brancos e que não disputam mais eleição ocupam cargos elevados, como o ex-senador Walter Pinheiro que é secretário estadual de Planejamento (Seplan).

Para Moisés, os cargos de “pouca expressão política” e “pouca capilaridade” têm sido concedidos aos negros. “Para nós, é negada a oportunidade”, frisou. O vereador disse que a Bancada do Feijão – políticos e lideranças que defendem candidatura negra para prefeitura – vai manter a defesa da proposta. “Nós ainda achamos que devemos prosseguir sim e temos tido um retorno muito positivo. Não tem como negar que não haja racismo e preconceito. Uma cidade com 470 anos não conseguiu eleger um prefeito ou uma prefeita negra. Nós somos qualificados e capazes”, salientou.

Tribuna da Bahia

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