“Prisão política, que reedita os tempos da ditadura”

 

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse que a decisão do juiz Sérgio Moro de expedir mandado de prisão contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ontem, reedita os tempos da ditadura militar. Para ela, Moro não esperou se esgotarem os prazos de recurso e está “armado de rancor e ódio”. “Violência sem precedentes na nossa história democrática. Um juiz armado de ódio e de rancor, sem provas e com um processo sem crime, expede mandado de prisão para Lula, antes de se esgotarem os prazos de recurso. Prisão política, que reedita os tempos da ditadura”, disse por meio do Twitter. Moro deu prazo até hoje ao ex-presidente para ele se apresentar ‘voluntariamente’ à Polícia Federal em Curitiba, base da Operação Lava Jato. Em despacho de ontem, Moro estipulou a Lula que se apresente até às 17h.

O líder do PSOL na Câmara, Ivan Valente (SP), disse que a ordem de prisão contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra uma articulação entre o juiz Sérgio Moro e o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Para o parlamentar, a ação conjunta entre os juízes de primeira e segunda instâncias visa intimidar o Supremo Tribunal Federal (STF) para que as Ações Diretas de Constitucionalidade (ADCs) não sejam votadas. “A decisão é compatível com o arbítrio de Moro. Primeiro faz condução coercitiva, abre um áudio ilegalmente (de uma conversa entre Dilma Rousseff e Lula quando ela ainda ocupava a presidência da República) e agora existe articulação com o TRF com pressa. Criaram um fato consumado para o STF não julgar as ADCs, essa é a jogada”, disse.

Na avaliação de Valente, há politização do Judiciário e a perseguição “evidente” contra Lula. “Essa pressa é política”, concluiu. Da bancada do PSOL, o deputado Chico Alencar (RJ) também questionou a decisão de Moro. “Justiça tem que ser judiciosa e não justiceira! Recurso final, mesmo condenado à derrota, tem que ser apreciado. Não havia risco de Lula fugir. TRF-4 e Moro céleres: o que temem? Já outros processos, como os de Aécio, Azeredo e Jucá, bem morosos. O sistema judicial brasileiro tem dois pesos, vários ritmos e diferentes medidas”, comentou. Já o líder da Minoria na Câmara, Weverton Rocha (PDT-MA), disse que recebeu a notícia com “muita tristeza e angústia”. “Tenho a convicção que a esquerda deve seguir lutando unida por ideias de desenvolvimento com justiça social. Aprisionaram Lula, mas os ideias de todos nós que queremos um Brasil melhor continuam firmes”, afirmou.

Tribuna da Bahia

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