Pré-candidatos sobem a Colina Sagrada na quinta (11)

 

Se o cronista político Jânio Lopo estivesse vivo, diria que na próxima quinta-feira (11) é o dia dos “pedintes de votos” subirem mais uma vez a Colina Sagrada. Era assim que ele nomeava os políticos, que todos os anos, caminham os oito quilômetros da Igreja da Conceição da Praia até a Basílica do Bonfim a fim de renovar a fé, mas, sobretudo, para testar a popularidade. O festejo religioso tornou-se uma espécie de termômetro político, principalmente, em anos eleitorais. Tanto o governador Rui Costa (PT), que disputará a reeleição neste ano, quanto o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), que também deve entrar na briga, já confirmaram presenças na Lavagem do Bonfim.

Em entrevista ontem à imprensa, o chefe do Palácio de Ondina negou que usará o festejo para medir sua popularidade. “Nunca foi e não será momento de avaliação política. O Senhor do Bonfim é antes de tudo momento de demonstração da fé e da esperança do povo baiano. É um momento sagrado, que virou referência turística para o Brasil. A política fica, em minha opinião, em um tamanho muito pequeno. De minha parte, não terá nenhuma movimentação de cunho político, partidário eleitoral”, afirmou o petista.

Sem confirmar ainda que é candidato ao governo da Bahia, Neto também refuta a ideia de que a festa serve como um teste político. “Sempre vou à Basílica, e participo da Lavagem do Bonfim, como um ato de fé e agradecimento. É um momento que a gente tem de renovar essa devoção que temos ao Senhor do Bonfim, nessa festa tão bonita e que faz parte da identidade do povo da Bahia. Não participo da Lavagem para fazer política ou para testar a minha popularidade. Aliás, se for para testar a popularidade, faço isso diariamente, porque todos sabem que governo a cidade das ruas. Não sou político de gabinete”, ressaltou.

O vice-prefeito Bruno Reis (MDB) entende, no entanto, que as festas populares são sempre termômetros políticos. “Sem dúvidas, esse ano teremos muitas especulações, porém, continuo seguindo no passo do trabalho, porém, ainda continuo no passado do trabalhado realizado por Salvador”, disse. Não se sabe ao certo quando ocorreu a primeira Lavagem do Bonfim, mas o ritual acontece na capital baiana desde o século 19. Conta a tradição que um soldado português prometerá ao Senhor do Bonfim, que, se voltasse vivo da Guerra do Paraguai, lavaria, em sinal da gratidão, a igreja. Ao subir a colina, em peregrinação, explicou para pessoas sua promessa e ali despertou-se um costume que permanece até hoje.  

Lideranças nacionais devem ir ao festejo religioso

Foi em 2014 que a Lavagem do Bonfim recebeu o título de patrimônio nacional. Naquele ano, a então ministra da Cultura, Marta Suplicy (MDB), veio a Salvador para participar da solenidade. A emedebista é uma das muitas lideranças nacionais, que todos os anos desembarcaram na capital baiana, para andar no tradicional percurso da Conceição da Praia até a igreja do Bonfim. Além de Marta, o senador Ronaldo Caiado (DEM), o ex-deputado federal Protógenes Queiroz e o ex-ministro e o então presidenciável Eduardo Campos (PSB) também estiveram no festejo. Neste ano, até o momento, a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, a senadora Gleisi Hoffmann, é a única liderança nacional confirmada.

O presidente do PSDB na Bahia, João Gualberto, disse que convidou o governador de São Paulo e pré-candidato a presidente, Geraldo Alckmin (PSDB), para festa religiosa, mas o tucano paulista ainda não confirmou presença. Alckmin não veio à Bahia desde novembro de 2016, quando participou de um encontro dos 40 anos de criação da Associação Baiana de Supermercados (Abase) e se reuniu com tucanos. 

 

 

Tribuna da Bahia

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