Menino morre aos 16 anos e algo incrível acontece quando o relógio marca 22:22

Casey Taub era aluno do Horace Greeley High School em Chappaqua, Nova Iorque. Ele faleceu aos 16 anos de idade. (Cortesia de Jonathan Taub)

Casey Taub escolheu o número 22 para a sua camisa quando estava na quarta série. Muitas crianças que jogam futebol escolhem o 9 ou o 10, que tendem a ser os números pertencentes às maiores estrelas do esporte, mas o menino de Chappaqua, Nova Iorque, quis a 22 e não mudou de ideia. Ninguém sabia exatamente o porquê.

No entanto, esta parece ter sido uma escolha apropriada. Casey era mais realista e sábio do que uma típica criança de 9 ou 10 anos. Ele ia até os adultos presentes nas festas de seus pais e iniciava conversas interessantes. Ele amava história – tanto que, quando era criança, colocou um bigode de espuma em seu rosto na banheira e disse à sua mãe que era o presidente norte-americano Chester A. Arthur. Seu pai, Jonathan, costumava pensar: “Como pode haver um homem de 40 anos preso no corpo de um menino de 10 anos?”. Casey não era exatamente igual a alguém de 40 anos. Parecia mais ter 22.

Ele tinha 14 anos quando começou a sentir algo que seus pais acreditavam ser vertigem. No entanto, após uma bateria de exames, havia um motivo inimaginável para a tontura: câncer cerebral. “Inicialmente, pensei que isso era algo que muitas crianças conseguiam vencer,” disse Jonathan. “Depois nós descobrimos que era um tumor agressivo, algo que você não quer ouvir”. O menino, que estava no segundo ano do ensino médio, passou a enfrentar um desafio que a maioria de nós nem consegue imaginar.

Em um dado momento, Casey olhou para seu pai e perguntou: “Eu vou morrer?”

“Você imediatamente diz ‘não’” disse Jonathan. “O que você faz? Você reza”.

Ele se emociona ao lembrar da conversa. Ele disse que teria respondido “Não” mesmo que os médicos não dessem chance alguma a Casey. E ele tinha uma pequena chance, mas nada justa.

Ele precisaria de uma coragem muito além de sua idade, e de certa forma, usou o futebol como uma forma de apoio. Seu pai fez o mesmo. Foram seis semanas de quimioterapia, cinco dias por semana. Foram três cirurgias. Houve progresso, mas conforme os médicos explicavam, o tratamento estava “tentando alcançar um carro em alta velocidade”. Casey usava sua camisa 22 sempre que podia, mas o tratamento o deixou fraco demais para jogar.

Ele escolheu Londres como destino para realizar o seu desejo, um presente da organizaçãoMake-A-Wish. Ele queria conhecer seu time do coração, o Chelsea. Casey também foi apresentado a alguns dos jogadores do NYCFC em sua cidade. Um deles, Khiry Shelton, manteve contato com o menino e foi visitá-lo no hospital. Ele não passou apenas alguns minutos ao seu lado, mas horas.

Muitos dos relacionamentos mais próximos de Casey faziam parte de seu próprio time. Foi difícil para ele assistir ao Horace Greeley High jogar sem a sua presença, mas ele se tornou gestor da equipe. O futebol lhe dava um certo conforto.

Por isso foi tão difícil quando Casey começou a enfrentar ainda mais dificuldades nos últimos meses.

“Quando a visão dele ficou embaçada, quando entramos no mês de maio, ele não queria mais conversar com seus amigos,” relata Jonathan. “Eles vinham visitá-lo e só se sentavam ao lado dele”.

Ele se emociona de novo.

“Ele enfrentou muita coisa,” diz o pai. “Ele foi incrível, nunca desistiu”.

Casey Taub foi internado no hospital no final de semana antes do feriado de 4 de julho, um dos mais importantes dos Estados Unidos. E faleceu no dia 9 de julho, aos 16 anos.

Comparecerem 800 pessoas em seu funeral, e isso já teria sido suficiente para homenageá-lo. Mas havia mais um tributo: uma partida de futebol dedicada a ele. A ideia foi de seus colegas de equipe.

“Gostei muito da iniciativa deles,” diz Jonathan, pausando por um momento para pensar nas palavras certas. “Por alguma razão, de alguma forma, isso me deu o conforto que Casey…  que ainda estou conectado a ele”.

O time decidiu homenagear Casey durante o 22º minuto, inspirados pelo número da sua camisa. Os torcedores e jogadores fora de campo aplaudiriam durante todo aquele minuto, enquanto o jogo continuaria.

O minuto veio e os aplausos começaram de forma moderada. Em seguida, houve um pico não esperado no barulho e muitos gritos exaltados: Matt LaFortezza, capitão do time, marcou um gol. O momento foi tão especial que demorou um pouco para o público perceber: o gol havia sido marcado aos 22:22.

Será que o universo estava tentando dizer algo quando o Horace Greeley High marcou aos 22:22 durante uma partida homenageando o jogador do time que usava a camisa 22? (Cortesia de Jonathan Taub)
Yahoo Notícias
Os comentários estão fechados.