Medo do Covid-19 faz fluxo de pessoas diminuir nas ruas de Salvador

 

 

 

 

Era segunda-feira. Mas poderia, muito bem, ser um dia de feriado ou final de semana. Por conta dos dez casos já confirmados do novo coronavírus, sendo quatro em Salvador, muita gente deixou de sair de casa, seguindo recomendações de especialistas e do poder público. O resultado foram ruas e avenidas com fluxo menor. Não importava se era shopping, comércio de rua ou ponto turístico: as pessoas optaram pela precaução.

O resultado disso foram centros de compras e comércios mais humildes com poucos clientes. Em um shopping na Avenida Tancredo Neves, os corredores estavam mais vazios que o de costume, mesmo em se tratando de uma segunda-feira. Em alguns supermercados, além dos poucos consumidores, alguns itens de limpeza, higiene, leite em pó, frutas e legumes já estavam em falta nas prateleiras e gôndolas.

Na região da Piedade e na Avenida Joana Angélica, filas foram vistas apenas em uma lotérica. Muitas lojas estavam vazias, apenas com vendedores esperando a chegada de um possível comprador, o que pouco ocorria. Até entre os ambulantes que vendiam frutas nas calçadas, a percepção era uma só: a de que o Covid-19 espantou a freguesia.

Quem se arriscou a sair, tinha pelo menos duas “armas”: as máscaras e o álcool gel. Taxista há 36 anos, Rosival Santos percebeu o menor fluxo de pessoas nas ruas do centro da cidade. “Eu acho que a cidade está mais vazia, sim. As pessoas, com medo de pegar o coronavírus, preferiram ficar em casa. O movimento está fraco, até porque a cidade também está sem eventos”, afirmou ele, que tinha um tubo de álcool gel em mãos, procurando se cuidar.

Já a autônoma, Indiara Carvalho, e o filho dela, Iuri (5 anos), buscaram a proteção utilizando máscaras. Eles estavam em um hospital, visitando um parente dela, quando receberam a orientação. “A recomendação foi de parte deles e, claro, nós obedecemos, porque eu estou com medo de contrair o coronavírus. E estou muito preocupada com meu filho. Agora só ando com álcool gel em mãos e luvas, quando encontro”, afirmou.

PELOURINHO

No Centro Histórico de Salvador, o movimento de pessoas era um pouco maior do que o visto na Piedade, ainda que o assunto em debate, ao invés das belezas da capital baiana, fosse outro, justamente o coronavírus. Para o turista mineiro Rodolfo Leite, a doença atrapalha não apenas aos que vem de fora do estado, como também àqueles que dependem do turismo para sobreviver.

“Assim como aqui em Salvador, a situação em Belo Horizonte não está fácil. Se eu não tivesse comprado a minha passagem com antecedência, eu não sei se eu viria. Menos mal que aqui está um tempo mais agradável que lá. Eu confesso que estou preocupado, pois quando o outono chega, mesmo sem tanta chuva, as temperaturas são mais frias na minha cidade”, afirmou.

Quem lamentou a diminuição de turistas na região do Pelourinho foi o vendedor Alex Ringo. “O movimento caiu, sim, por causa do coronavírus. O assunto aqui, desde o gari até o empresário não tem sido outro. Nós, por outro lado, estamos tendo um cuidado rigoroso ante ao contato dos turistas, mas ainda estamos descobertos. Todo o cuidado é pouco”, disse ele.

PARQUES FECHADOS

E os espaços voltados ao público devem ficar mais raros, pelo menos nos próximos 15 dias. Ontem, a Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Inovação, Sustentabilidade e Resiliência (Secis), informou que os parques geridos pelo município foram fechados no início da tarde desta segunda-feira para evitar o risco de proliferação do coronavírus (Covid-19).

Os parques que deixam de funcionar por tempo indeterminado são: o da Cidade (Itaigara), das Dunas (Praia do Flamengo) e dos Ventos (Boca do Rio), este último inaugurado recentemente. Além disso, a Praça Dois de Julho, no bairro do Campo Grande, outro equipamento gerido pela Secis, também foi fechada por tempo indeterminado. Eventos programados para esses equipamentos estão automaticamente cancelados.

Além dos parques, os espaços culturais administrados pela gestão municipal suspendem atividades por 15 dias, a partir desta quarta-feira. Os espaços culturais geridos pela Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos, são: Casa do Benin, Espaço Cultural da Barroquinha, Teatro Gregório de Mattos, Espaços Culturais Boca de Brasa (Subúrbio 360, Centro, CEU de Valéria, Muncab, Casa do Sol, Picolino e Quabales), Café Teatro Nilda Spencer e Sala Multiuso, os dois últimos na sede da própria fundação, na Barroquinha.

FEIRA DE SANTANA

Segunda maior cidade da Bahia e com cinco registros do Covid-19, Feira de Santana decidiu suspender as aulas nas escolas municipais, por 15 dias, a partir de manhã. Segundo a prefeitura do município, a previsão de retorno é para o dia 2 de abril, mas o prazo de suspensão das aulas pode ser ampliado, dependendo de como esteja a situação na cidade e no estado. Além disso, a Administração Municipal também está recomendando as escolas da rede particular que adotem a mesma medida, preventivamente.

CAMAÇARI

Em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), o prefeito Elinado Araújo publicou dois decretos com medidas de prevenção e controle para enfrentamento do coronavírus na cidade. Os decretos prevêem, entre outros, que está vedado o licenciamento de eventos, a suspensão das atividades educacionais em todos os cursos, escolas, universidades e faculdades, da rede de ensino pública e privada, pelo prazo de 15 dias.

Além disso, foram suspensas, pelo prazo de 90 dias, a autorização para a realização de eventos coletivos, que impliquem em aglomerações de pessoas para público igual ou superior a 50 pessoas. Também ficam canceladas as autorizações já expedidas para eventos programados para ocorrerem no mesmo período.

A medida ainda faz recomendações à população em recente ou atual retorno de viagens internacionais, a cumprir as seguintes medidas: para as pessoas sem sintomas respiratórios, permanecer em isolamento sete dias; para pessoas com sintomas respiratórios leves, comunicar à Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica, a fim de ser orientado sobre providências mais específicas, através dos telefones (71) 3451-0166 / 3451-0167, ou via e-mail: epidemiologica.camacari@camacari.ba.gov.br.

No caso de surgimento de febre, associada a sintomas respiratórios intensos, a exemplo de tosse e dificuldade de respirar, a orientação é a de buscar atendimento nas unidades de urgência e emergência. O atendimento ao público, exceto os de saúde, dos órgãos e entidades integrantes da Administração Pública Municipal Direta e Indireta deverão limitar o atendimento a, no máximo, 200 pessoas por dia, devendo adotar as medidas adequadas para evitar a aglomeração de pessoas em seus ambientes.

Tribuna da Bahia

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