Investigadores acreditam que Pezão usava contas de terceiros

A Polícia Federal e a Receita Federal tentam encontrar parte dos recursos que teriam sido desviados pelo esquema de corrupção comandado pelo governador do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão. A análise de duas contas bancárias mostra que ele quase não sacava dinheiro delas. Investigadores dizem que isso leva a crer que ele usava recursos financeiros de contas de terceiros ou que tenha muito dinheiro vivo guardado. Ele foi preso na última quinta-feira (29) no Palácio Laranjeiras, residência oficial do chefe do Executivo estadual. Ele segue preso na Unidade Prisional da Polícia Militar em Niterói, na Região Metropolitana do RJ. A Justiça derrubou neste fim de semana o sigilo do pedido de prisão do governador. O doleiro Álvaro Novis, delator da Lava Jato, disse que entregou dinheiro para um assessor de Pezão, segundo o Ministério Público Federal. Em depoimento, ele disse que entregou dinheiro diretamente nas mãos de Luiz Carlos Vidal Barroso, o Luizinho, que trabalhava com Pezão e também está preso. 

Para tentar provar o que contou na Justiça, Álvaro Novis entregou gravações das conversas entre um funcionário da corretora de valores dele e Luizinho, o assessor de Pezão. Em ligações, o funcionário diz a Luizinho que tem uma “documentação” para entregar. Segundo a investigação, este é o nome ao qual se referiam para falar sobre o dinheiro da propina. O nome de Pezão aparece nas investigações desde o início da Lava Jato no Rio, de acordo com a PF. Mas era preciso apurar melhor esses supostos pagamentos. Os investigadores seguiram o caminho do dinheiro e concluíram que os repasses foram feitos em dinheiro vivo.

Nas planilhas de Álvaro Novis, o governador é chamado de ‘Pé’, ‘Pé-grande’, ‘Big Foot’ e ‘Pezonne’. Ao lado dos codinomes, há valores entre R$ 50 mil e R$ 3 milhões. Segundo o MPF, há provas documentais do pagamento em espécie a Pezão de quase R$ 40 milhões, em valores de hoje, entre 2007 e 2015. De acordo com o MPF, o valor é incompatível com o patrimônio declarado pelo emedebista à Receita Federal. Pezão também foi gravado. Em uma conversa telefônica transcrita no pedido de prisão, ele promete intervir quando é comunicado por um político do Rio que o ex-governador Sérgio Cabral não atendeu a uma ordem de ficar de frente para a parede durante uma inspeção do Ministério Público Estadual no presídio de Bangu 8 no dia 24 de julho deste ano. Cabral se negou e disse que era detento e não preso.

O advogado do governador, agora preso, nega as acusações. “Ele não tem nenhuma movimentação vultosa ou sinais de riquza porque ele não tem riqueza. Ele tem um patrimônio modesto, compatível com os 36 anos de vida pública dele”, afirmou Flávio Mirza. Em nota, o advogado de Luiz Carlos Vidal Barroso, o Luizinho, que também está preso, diz que seu cliente “nunca foi destinatário ou portador de propinas para o governador Pezão”. 

Tribuna da Bahia

Deixar uma Resposta

Não serão autorizados comentários com palavras de teor ofensivo, como xingamentos, palavrões e sobretudo ofensas pessoais.