Investigação aponta que Dilma usou e-mail secreto para alertar marqueteiros

 

Investigações conseguiram provar trocas de mensagens e telefonemas mostrando a ex-presidente Dilma Rousseff alertando o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura do risco de prisão. A afirmação, feita pelo então procurador-geral da República Rodrigo Janot, está presente na denúncia feita por ele em 6 de setembro.

Além de Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Aloizio Mercadante são acusados de tentarem atrapalhar as investigações da Lava Jato.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, as investigações, segundo Janot, “confirmaram diversos telefonemas trocados entre Mônica Moura e terminais cadastrados em nome da Presidência no período dos fatos. A adoção de tais medidas permitiu que João Santana e Mônica Regina Cunha Moura se precavessem contra diligências investigatórias como buscas e apreensões e prisões”.

Segundo Mônica Moura, que fechou um acordo de delação premiada, ela e Dilma usavam conta de e-mail para conversar, mas em vez de enviar mensagens, salvavam os textos nos rascunhos para evitar deixar rastros.

O ex-procurador-geral acusou a petista: “A obstrução das apurações ocorreu mediante a criação e utilização, pela então Presidente da República, de correios eletrônicos (e-mails) especificamente voltados para o repasse de informações cifradas sobre o andamento de investigações sigilosas relacionadas ao casal de publicitários mencionado, que havia recebido recursos ilícitos para prestação de serviços à campanha presidencial de 2010, o que permitiu aos investigados se precaver de medidas cautelares como buscas e apreensões e prisões.”

Janot também denunciou Lula e Mercadante.  Além das mensagens e telefonemas trocados com Mônica, o agora ex-procurador-geral disse que Lula foi nomeado para o cargo de ministro da Casa Civil em março de 2016 para ter proteção. Mercadante, “homem da estrita confiança de Dilma”, diz a peça, foi emissário de Dilma para falar com um assessor do ex-senador Delcídio Amaral de modo a evitar que ele firmasse um acordo de delação premiada. Delcídio acabou se tornando delator e o assessor dele gravou a conversa com Mercadante.

A ex-presidente, por meio de sua assessoria, informou que a posição dela continua a mesma expressa em nota de setembro. Na época, ela classificou a atitude do ex-procurador-geral de lamentável e sem qualquer fundamento. Disse também que as investigações se baseavam em interceptações telefônicas ilegais, numa referência à nomeação de Lula, mas não fez menção ao caso de Mônica Moura, segundo O Globo.

Também no dia da denúncia, as assessorias de Lula e Mercadante divulgaram notas negando as acusações.

 

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