FHC diz que Bolsonaro foi grosseiro ao dizer que PM-BA matou miliciano

 

 

 

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez uma “grosseira inaceitável” ao dizer que “a polícia da Bahia, do PT” matou o miliciano Adriano da Nóbrega. “Foi uma grosseria inaceitável. Se você precisa tratar bem os deputados, o que dizer dos governadores. Eles representam os Estados. Não me lembro de já ter visto uma carta assinada pela maioria dos governadores contra o presidente da República. Uma coisa rara, que mostra como é rara a gravidade do ato”, afirmou o tucano, em uma palestra realizada para prefeitos do interior paulista, recém filiados ao PSDB, segundo o jornal Estado de S. Paulo.

O miliciano estaria envolvido na morte da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), e era citado na investigação que apura a prática de “rachadinha” no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro, quando era deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro na (Alerj). De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Adriano foi encontrado no município baiano de Esplanada. Ainda segundo a SSP-BA, quando os policiais chegaram, o miliciano teria efetuado disparos e, na troca de tiros, teria sido ferido. Ele teria sido levado a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Após a declaração de Bolsonaro sobre a “polícia da Bahia, do PT” matar o miliciano, o governador Rui Costa (PT) reagiu e concedeu várias entrevistas rebatendo o presidente da República. Além disso, 20 governadores brasileiros divulgaram uma carta em que criticaram a fala de Bolsonaro.

“O documento foi não só uma solidariedade à Bahia, mas para chamar a atenção do País para que é preciso restabelecer relações republicanas, de respeito. Quais são as prioridades do momento no País? Não podem ser agressões ou resolver problemas familiares. As prioridades são as dificuldades vividas pelo povo. Há uma inquietação grande dos governadores por causa dos sucessivos ataques. Em um ano, o presidente já atacou a Paraíba, o Maranhão, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo. Enfim, é uma metralhadora giratória disparando agressividade. Não é possível isso. Nunca se viu isso na história recente do País. Não tem o mínimo de comportamento civilizatório, ético, que se quer de um presidente da República. Espero que, com o documento, o presidente possa repensar suas atitudes. O documento solicita também mais uma audiência com o presidente para que o diálogo se restabeleça”, disse Rui, em entrevista ao jornal.

Tribuna da Bahia

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