Feijão com arroz é cardápio de luxo

Segundo estimativas do Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses), a primeira safra do grão, que será colhida entre janeiro e fevereiro, deste ano deve ser a menor da história. Em relação ao arroz a tendência de alívio começou em dezembro passado. Levantamentos da Fundação Getúlio Vargas, que acompanham os preços no atacado, entre produtores agrícolas e indústrias, mostram que o preço do quilo caiu 2,5%. Em Salvador os mercados estão com poucas opções dos produtos. Enquanto se aguarda as previsões a Tribuna da Bahia procurou saber com uma especialista em nutrição, como fazer para substituir a tradicional feijoada, prato típico brasileiro.

No mercado, o quilo do feijão carioquinha pode ser encontrado a R$6,69 e na Feira da 7 Portas por R$6,99. Já o Mulatinho, tradicional da feijoada baiana está custando R$ 9,00 o quilo. Mas em média, em Salvador, o mais consumido, o carioquinha, custa por volta de R$ 8,09. Já o arroz realmente deu uma estagnada nos preços. No mercado o quilo pode ser encontrado a R$ 4,29, já na Feira da 7 Portas custa R$5,00. Tudo depende da marca.

O aumento de consumo causado pela pandemia e os bons preços alcançados em 2020 (a saca saiu de R$ 135, em janeiro, para R$ 280, em novembro) não são suficientes para estimular o produtor a investir no feijão. Pode faltar o produto este ano. “Isso se deve à valorização recorde da soja e do milho”, diz Marcelo Luders, presidente do Ibrafe.

Em 2021, o feijão também pode ser afetado pelos efeitos do La Niña. Luders estima que o volume a ser colhido nos próximos meses não será suficiente para atender a demanda normal, o que pode elevar o preço da saca para R$ 300 nestes primeiros meses do ano. De acordo com os dados oficiais de inflação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço dos alimentos nos supermercados subiu 16% de janeiro a novembro. Só o arroz subiu 70%. O feijão preto subiu 40%.

O analista de Agropecuária do IBGE, Carlos Barradas estima que, em 2021, haverá declínios nas produções da segunda safra do milho (-2,4%), do arroz (-1,8%), do algodão herbáceo em caroço (-13,6%), do feijão 1ª safra (-0,3%), do feijão 2ª safra (-7,0%) e do feijão 3ª safra (-5,4%). “Para o arroz, a gente espera uma produção de 10,9 milhões de toneladas, é um aumento de 0,6% em relação ao primeiro prognóstico. Contudo, é um declínio de 1,8% em relação a 2020. Essa quantidade de arroz atende ao consumo interno e provavelmente não haverá necessidade de importação de arroz”, explica.

Já o prognóstico da produção do feijão para 2021, segundo Barradas, indica que a quantidade produzida pode não dar conta de suprir a necessidade do mercado interno. “O Brasil consome cerca de três milhões de toneladas de feijão e o prognóstico estima a produção em 2,8 milhões de toneladas, o que quer dizer que o país poderá precisar importar um pouco de feijão, a menos que essa produção aumente em 2021”, diz, ressaltando que o levantamento da safra é mensal, e os valores vão se alterando, de acordo com o comportamento do clima e a conjuntura do mercado.

Apesar disso, as coisas devem começar a se normalizar. Isso significa que reajustes de grande magnitude e em tão pouco tempo não devem se repetir. A tendência de alívio começou em dezembro. Levantamentos da FGV, que acompanha os preços no atacado, entre produtores agrícolas e indústrias, mostram que o preço do quilo do arroz, por exemplo, caiu 2,5% na primeira prévia de dezembro. É um indício de que seu preço já chegou ao pico e não sobe mais, mas ficou longe de zerar o aumento de 89% acumulado em um ano. De acordo com a nutricionista Laiana Carvalho Coordenadora do Projeto de Nutrição do Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS) fica bem difícil se adaptar a uma nova solução, “sabemos que o arroz e o feijão são proteínas de extrema importância para o funcionamento do corpo humano. Eles se combinam formando substâncias de alto valor biológico e diante da realidade da elevação do preço desses dois alimentos, fica uma situação complicada para a população de baixa renda, principalmente.”

Mas, Laiana argumenta que pode sim recorrer a outros alimentos, para minimizar essa carência nutricional de quem não pode comprar os produtos. “Existem outros feijões além do mulatinho. Pode ser o andu, o feijão verde, ou leguminosas, a lentilha também é cara e o arroz pode ser substituído pelo macarrão ou outros carboidratos como a batata, o inhame, o aipim. Pode buscar a preparação destes insumos para que atenda a população de forma que não haja restrição proteica”, sugere Laiana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tribuna da Bahia

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