Edvaldo Brito critica interferência da prefeitura na Câmara de Vereadores

 

 

O líder do bloco independente da Câmara Municipal de Salvador, Edvaldo Brito (PSD), criticou duramente a influência que a prefeitura tem sobre os vereadores da capital. No mês passado, inclusive, ameaçou deixar mandato após tomar conhecimento que a gestão estava interferindo em uma sessão ordinária que pretendia votar projetos da própria Casa. “Fui chamado para uma reunião do Colégio de Líderes. Quando cheguei, já estavam discutindo se entrava o projeto da vereadora A ou do vereador B. E eu achava que a gente deveria ir para o pau. Defendi votar todos os projetos”, relembra no programa Política na Mesa, na Rádio e TV Câmara Salvador, destacando que a população está cansada de “conluios”. Na ocasião, o edil tinha três projetos polêmicos a serem votados. “Falaram que eu estava doido, porque os projetos eram polêmicos. ‘O que é que eu vou dizer na prefeitura?’ Foi aí que não gostei. O que eu tenho a ver com a prefeitura? Se há interferência da prefeitura no Legislativo que condiciona a atuação do vereador, eu vou me embora”.

O edil faz uma ressalva: “O que se precisa é ter espinha dorsal para exercer o mandato, assim como no Executivo. Já fui prefeito e já usei a caneta nos limites da Constituição, no âmbito das minhas competências”.

Questionado sobre o bloco da oposição, que faz contraponto com o Executivo e está rachada após ser dividida em dois grupos distintos, Edvaldo comenta: “Acho que o racha foi estratégico apenas. Não houve o racha para que se pensasse de modo diverso. Temos também um vereador de partido independência, que sou eu. Por que sou independente? Porque tenho que ser dependente apenas de você”, diz, se dirigindo aos eleitores.

O veterano revela o cenário que enxerga para a eleição de 2020 em Salvador. “É um cenário muito difícil, porque não vai ter coligação na proporcional. Cada um de nós terá que mostrar que tem farinha no saco. Não conheço um candidato a vereador que tenha feito 30 mil votos. Se não vai ter coligação, precisamos ter legendas fortes”, analisa. Ele também defende uma candidatura própria do PSD. “Se [o PSD] não tiver [candidato], é porque não quer. Nomes existem. Me perguntaram se eu poderia ser candidato. Falei que sim, mas estava dando um exemplo apenas. Ninguém é candidato de si mesmo”, avaliou, defendendo o modelo de voto distrital misto”.

Tribuna da Bahia

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