Crianças também podem sofrer com depressão

 

Pode parecer inacreditável, mas muitas crianças estão sendo vítimas da depressão. A doença, que está preocupando psicólogos, atingiu um patamar tão preocupante, que existem casos de menores com apenas três anos serem portadores dos sintomas. Em outros, mais graves, o de crianças com apenas seis que já tentaram o suicídio. 

Para o especialista em saúde mental, Dr. Joaquim Pereira de Moura Neto, “o paciente diagnosticado com a doença não necessariamente é uma pessoa triste, como se costuma pensar. A principal característica desta doença, entre outras coisas, é muita angústia, em que a pessoa pode também desejar morrer”.

Dr. Joaquim Neto esclarece que a depressão pode ter motivos evidentes ou não e possui diversos sinais e sintomas, que podem ser isolados ou sumarizados.

“No sentido patológico, há presença de tristeza, pessimismo, baixa auto-estima, que aparecem com frequência. E podem combinar-se entre si. O papel da família é fundamental na percepção dos sinais que a criança dá. É também imprescindível, o acompanhamento médico tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento adequado”, explica. 

O especialista acrescenta, ainda, que é causada, também, pela modernidade, e que chegou, principalmente, depois do advento da internet. “A depressão é um distúrbio afetivo que afeta o emocional da pessoa, que passa a apresentar tristeza profunda, falta de apetite, de ânimo e perda de interesse generalizado”. 

Mal do século

Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o “Mal do Século”, o Brasil é o 2° país da America Latina com maior número de pessoas sofrendo desse mal. “É uma epidemia e já decretamos calamidade pública”.  

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2013, estimou que 11,2 milhões de adultos foram diagnosticados com depressão e somente 46,4% deles receberam assistência médica. 

Entre os baianos, 19,7% dos indivíduos maiores de 18 anos e diagnosticados com depressão têm suas vidas comprometidas em virtude dos efeitos da doença. 

Segundo o IBGE, uma nova pesquisa será realizada ainda este ano para atualização destes dados. 

Morte

No último domingo (21), todos foram pegos de surpresa com uma notícia pra lá de chocante. Isso porque, uma grande repercussão foi gerada diante de uma publicação feita por um amigo de Yasmim Gabrielle, nome conhecido por fazer participações especiais no ‘Programa Raul Gil’. Luis Gabriel lamentou a perda da amiga, que, segundo ele, faleceu em virtude de uma depressão, e tirou sua própria vida aos 17 anos.

“Vocês sabem o que é depressão? Pra quem não sabe ou acha que sabe, é uma doença muito grave que atinge o auto-estema, psicológico e o emocional das pessoas“, escreveu Luis Gabriel, amigo de Yasmim Gabrielle.

A informação da morte da ex-caloura mirim foi confirmada por familiares e amigos da jovem. Ainda segundo eles, ela tinha depressão. No Facebook, dezenas de pessoas próximas a Yasmim, deixaram suas homenagens. 

Tratamento

O tratamento da depressão é essencialmente medicamentoso. Existem mais de 30 antidepressivos disponíveis. Ao contrário do que alguns temem essas medicações não são como drogas, que deixam a pessoa eufórica e provocam vício.

De acordo com a OMS a terapia é simples e, de modo geral, não incapacita ou entorpece o paciente. “Alguns pacientes precisam de tratamento de manutenção ou preventivo, que pode levar anos ou a vida inteira, para evitar o aparecimento de novos episódios”. 

A psicoterapia também ajuda o paciente, mas não previne novos episódios, nem cura a depressão. A técnica auxilia na reestruturação psicológica do indivíduo, além de aumentar sua compreensão sobre o processo de depressão e na resolução de conflitos, o que diminui o impacto provocado pelo estresse.

Gratuidade

Nesse contexto, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem papel importante na atenção à saúde e tratamento de pessoas com depressão e outros problemas mentais.

Os atendimentos e tratamentos para depressão são feitos, prioritariamente, na Atenção Básica, principal porta de entrada para o SUS, ou nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), onde o usuário recebe atendimento próximo da família com assistência multiprofissional e cuidada terapêutico conforme o quadro de saúde. 

Nesses locais também há possibilidade de acolhimento noturno e/ou cuidado contínuo em situações de maior complexidade, quando houver avaliação da equipe de referência para isto.

Para agravos do problema de depressão, ansiedade e/ou estresse, o SUS também disponibiliza medicamentos que auxiliam no tratamento dos pacientes (Amitriptilina, Clomipramina, Fluoxetina e Nortriptilina). Quando recomendado pelo médico, esses medicamentos podem ser retirados, gratuitamente, nas Unidades Básicas de Saúde ou nos demais estabelecimentos designados pelas secretarias de saúde dos municípios.

Tribuna da Bahia

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