Apple dá poder ao usuário contra anúncios; publicitários reclamam

Um novo recurso de privacidade foi anunciado pela Apple para os iOS 14 no evento da última terça-feira (15) e preocupou a indústria de anúncios publicitários. Isso porque, com a novidade, usuários poderão determinar se desejam receber recomendações personalizadas, com a coleta de dados, sempre que abrirem uma página pela primeira vez. 

Segundo uma carta aberta divulgada por um grupo do ramo, a funcionalidade tem tudo para impactar negativamente tanto consumidores quanto companhias. Sendo assim, os representantes pedem “diálogo” antes desse lançamento.

O documento foi assinado pela The Partnership for Responsible Addressable Media, que, mesmo elogiando a decisão da empresa de adiar a implementação das mudanças, inicialmente prevista para chegar nesta quarta-feira (16) com o iOS 14 e remanejada para 2021, espera “entender melhor a justificativa específica para as alterações, como serão aplicadas e quais ações podem ser tomadas por profissionais de marketing, editores, desenvolvedores de aplicativos e outras partes para garantir a manutenção da funcionalidade crítica” de suas atuações.

Além disso, de acordo com a entidade, os mecanismos podem prejudicar, inclusive, outras áreas cujas inovação e competição dependem de anúncios, dando como exemplos apps financiados por esse tipo de sistema e organizações de notícias.

 

Novo recurso daria mais poder a usuários, mas preocupa indústria de publicidade.Novo recurso daria mais poder a usuários, mas preocupa indústria de publicidade.

 

Esclarecimentos e concessões

O grupo ressalta que compartilha os ideais de garantia à privacidade ao usuário sugeridos pela Apple, mas que uma conversa é realmente necessária para que ninguém saia perdendo. Entre as questões estão como anunciantes podem limitar a frequência de anúncios em dispositivos da empresa e se os aplicativos terão o poder de oferecer a opção de ativação da coleta de dados – o que, em tese, garantiria um controle maior para os interessados na veiculação de conteúdo personalizado.

Outras dúvidas dizem respeito ao que a companhia estaria disposta a aceitar nas negociações e a se ela aplicará os mesmos princípios em seus serviços. Por fim, os representantes querem perguntar se as restrições funcionarão em anúncios não direcionados e, também, se será possível atingir grupos de usuários com interesses em comum.

TecMundo

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