Após Presidência, impeachment e escândalos, PT chega aos 40 anos longe das bases

 

 

 

 

Após ficar 13 anos na Presidência, enfrentar o escândalo do Mensalão, as acusações de corrupção da Lava Jato, o impeachment de Dilma Rousseff e a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, o PT chega aos 40 anos nesta segunda-feira, 10, afastado das bases populares que criaram o partido.

Depois de ter escolhido como prioridade as disputas eleitorais e colocar na direção da sigla quadros vindos da burocracia partidária ou indicados por deputados, o PT ainda procura o caminho para se reconectar com a classe trabalhadora, que também não é a mesma de 40 anos atrás. O sindicalismo foi atingido pelas novas tecnologias, a chamada uberização do trabalho, e o fim da contribuição sindical obrigatória.

O tamanho do desafio foi colocado pelo próprio ex-presidente Lula no sábado, durante a celebração dos 40 anos do partido no Rio.

“Na minha época a Volkswagen tinha 44 mil trabalhadores. Hoje tem 8 mil que produzem o dobro de carros de antigamente. Estão transformando seres humanos em algoritmos. Este é o desafio que está colocado para nós. Como é que a gente organiza o movimento social outra vez?”, disse o ex-presidente.

A opinião de Lula é compartilhada por boa parte da direção petista e também por ex-companheiros que ajudaram a criar o partido. Nas últimas semanas o Estado ouviu integrantes da primeira comissão nacional provisória do Movimento pró-PT, criada em 1979, gênese do que viria a ser a cúpula do partido, e integrantes da atual direção. Para eles, o principal objetivo do PT depois de ter chegado ao poder federal é retomar o vínculo com as bases populares e voltar a ser o canal de representação política dos trabalhadores.

Paulo Skromov, 74 anos, responsável por comandar a histórica reunião de fundação do PT no Colégio Sion, em São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1980, lembra que o desenraizamento do partido começou ainda antes da formalização da legenda, por motivos legais. Segundo ele, o modelo inicial de organização do PT dava poder de voto para os núcleos partidários de base. Em menos de seis meses depois do lançamento do Movimento pró-PT já existiam mais de 200 deles em bairros e fábricas só na cidade de São Paulo.

“Foi aí que o Plínio de Arruda Sampaio (advogado e ex-deputado morto em 2014) disse que a lei exigia a organização por diretórios municipais em vez de núcleos. Era aquilo ou não teria o registro”, lembra Skromov. “Achamos que quando a ditadura acabasse poderíamos voltar aos núcleos mas isso nunca aconteceu”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Estado de S.Paulo

 

 

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