Apesar das fake news, estudo aponta que maioria ainda é favorável às vacinas

 

As fake news – ou notícias falsas, em inglês – vêm, infelizmente, se popularizando cada vez mais nas redes sociais, principalmente com conteúdos voltados para atingir políticos de diversos segmentos, assim como assustar a população com informações irresponsáveis e que podem, por muitas vezes, até custar vidas.

Um dos assuntos que tem se tornado também rotineiros, em plataformas como Whatsapp e Instagram, é com relação às vacinas – sem qualquer comprovação científica, mas que dão sustentação ao movimento que é contra a imunização. Afinal, você já teve ter recebido ou conhece alguém recebeu a seguinte mensagem: uma adolescente de 14 anos, virgem, teria engravidado após ser vacinada contra a gripe. Em outra versão do relato, desta vez apontando duas meninas, de 11 e 17 anos, que teriam ficado grávidas após tomar a vacina contra o HPV.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), todas as vacinas destinadas a crianças menores de dois anos de idade têm apresentado queda na cobertura desde 2011. Dados de 2018 indicam que a cobertura vacinal contra a poliomielite, por exemplo, foi reduzida para 86,3%. O Brasil, que já foi considerado livre do sarampo, perdeu o certificado de erradicação da doença em 2019. Uma das causas é a queda da cobertura vacinal em 20%, de acordo com o órgão federal.

Mas, apesar disto estar se tornando cada vez mais comum e causando uma influência negativa na população, uma pesquisa feita pela Casa Osvaldo Cruz (COC), órgão vinculado a Fundação de mesmo nome, apontou que as postagens sobre vacina tem tido maior engajamento nas redes sociais, mostrando que a maior parte das pessoas é favorável à proteção. Os resultados apontam que a maior parte das pessoas é pró-vacina (87,6%) e tem um forte interesse em temas ligados à saúde, ao desenvolvimento científico e às políticas de saúde.

Por outro lado, mesmo como pouco mais de 13% dos links com grande participação de seus replicadores, as fake news ainda são vistas com preocupação pelos pesquisadores, especialmente pelo fato de que elas podem gerar desinformação em uma parcela da população que não tem o mínimo de conhecimento a respeito do tema. “As fake news em saúde são, atualmente, um problema extremamente grave, pois prestam um desserviço à população. É necessário estar atento a esse tipo de conteúdo, uma vez que as redes sociais podem ser usadas para reverberar as vozes de movimentos antivacina”, advertiu a pesquisadora Luisa Massarani, da COC/Fiocruz.

Os dados foram obtidos a partir da análise dos links mais compartilhados, curtidos e comentados em redes como Facebook e Twitter, no intervalo de um ano a partir de maio de 2018. Mas, ainda que indiquem uma menor prevalência das notícias falsas nos postagens de maior empenho ao longo do período analisado, a especialista alertou que elas podem estar presentes de uma maneira mais ampla nas redes sociais e, por isso, merecem atenção. A pesquisadora também observou que o problema das fake news parece ter se intensificado com a pandemia da Covid-19.

O estudo apontou também que as notícias falsas estão circulando entre àquelas onde há uma maior participação das pessoas quanto à busca pela imunização, como foi o caso de um artigo que cita o fato de Cuba ter produzido uma vacina contra o câncer e mais de 4 mil pessoas tinha sido curadas por ela. Conforme o COC, apesar de se falar na “cura” da doença, o corpo do texto indicava que, na verdade, o medicamento havia possibilitado a melhora de sintomas e o prolongamento do tempo de vida dos pacientes.

VERACIDADE

De acordo com a Casa Osvaldo Cruz, outra evidência da circulação de notícias falsas nas redes sociais, aponta a pesquisa, é a consequente presença de conteúdos que desmentem informações equivocadas – também chamados de fact checking. A análise feita pelos especialistas identificou sete matérias com esse perfil, publicadas por órgãos de imprensa, sites especializados em checagem de fatos, além de uma página institucional e outra de comentário político. Segundo os autores, a constatação mostra que a preocupação com a veracidade e a correção das informações também é um fator de engajamento nas redes sociais.

Ainda conforme com o estudo, 42,7% dos links sobre vacinas que despertaram mais interesse dos usuários estavam relacionados a temas de saúde e ciência. Nessa categoria, a abordagem destacou, principalmente, pesquisas para novos imunizantes, novos usos para aqueles já conhecidos e a segurança das preparações.

Além disso, o predomínio de conteúdo produzido por veículos jornalísticos foi outra constatação do estudo. Os links analisados indicaram a presença de um total 63 veículos na web, dos quais 45 foram classificados como “profissionais”, isto é, aqueles que possuem uma política editorial clara e identificável, dentre outras características. Desses, mais da metade eram órgãos de imprensa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tribuna da Bahia

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